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terça-feira, 6 de novembro de 2018

Jornada mundial pelo fim da impunidade de assassinatos de jornalistas

Grupo de jornalistas levanta cartazes com retratos de jornalistas assassinados, em Paris, em 1º de novembro de 2018.

O assassinato do saudita Jamal Khashoggi, "estrangulado" e "esquartejado" no consulado de seu país na Turquia, recorda, na véspera de uma jornada mundial contra esses crimes, que ainda é possível matar jornalistas com total impunidade.

Nos últimos anos, em condições iguais de selvageria, o jornalista Mohamed al-Absi foi envenenado no Iêmen, os mexicanos Miroslava Breach e Javier Valdez morreram em 2017 a tiros no México, assim como Ján Kuciak e sua noiva na Eslováquia.

Desde 2006, a Unesco condenou os assassinatos de 1.010 jornalistas e profissionais dos meios de comunicação. Mas nove em cada 10 casos nunca foram julgados, segundo um relatório publicado no dia 1º de novembro.

A agência da ONU decretou o dia 02 de novembro como o "Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas", em homenagem aos franceses mortos em 02 de novembro de 2013 no Mali, Ghislaine Dupont e Claude Verlon.

"A luta contra impunidade faz parte da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e do acesso à informação. Atacar um jornalista é o mesmo que atacar toda a sociedade", declarou à AFP a diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay.

Nesta quinta-feira à noite, a Torre Eiffel de Paris se apagou simbolicamente durante um minuto de silêncio pelos jornalistas assassinados, em uma iniciativa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF). "Jamal Khashoggi foi assassinado porque queria escrever e falar com liberdade", declarou Fabiola Badawi, ex-companheira do jornalista.

Seu assassinato, mas também os de Anna Politkovskaya em 2006 em Moscou e o de Marie Colvin em 2012 na Síria, "colocam em questão diretamente os Estados, as suas diplomacias, a sua polícia, seus serviços secretos e suas justiças", assinala a associação de amigos de Ghislaine Dupont e Claude Verlon em uma coluna publicada no jornal francês Libération.

Entre 1º de janeiro e o final de outubro de 2018, a Unesco contabilizou o assassinato de 86 jornalistas.

Enquanto os enviados especiais às vezes morrem em zonas de guerra, os jornalistas locais que investigam corrupção, crime e política têm o maior número de vítimas. Representam 90% dos repórteres assassinados, segundo a Unesco.

As mulheres na profissão também são um alvo particular, vítimas de assédio sexual e abuso pela Internet.

Para que o assassinato de jornalistas seja "contraproducente", a ONG Forbidden Stories promete "continuar as investigações dos jornalistas assassinados" e dar-lhes uma ressonância internacional.

A Unesco também lançou uma campanha nesse sentido, chamada #TruthNeverDies ("A verdade nunca morre"), para incentivar a publicar artigos escritos por ou em homenagem a jornalistas mortos no exercício de sua profissão.

De acordo com a RSF, a Síria é o país mais letal do mundo para os jornalistas, seguido pelo México, o país em paz mais perigoso.

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