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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Bruxelas denuncia desvio 'sem precedentes' no orçamento italiano para 2019

Comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici, em 11 de outubro de 2018 na Indonésia.

A Comissão Europeia denunciou um desvio "sem precedentes" no plano orçamentário da Itália para 2019, em uma carta entregue no dia 18 de outubro ao governo italiano, uma coalizão de ultradireita e antissistema, para quem pede "esclarecimentos".

O projeto de orçamento para a Itália em 2019 prevê um déficit de 2,4% do PIB para o próximo ano, apesar de seu antecessor no Palácio Chigi ter se comprometido com 0,8%.

O desvio italiano é "sem precedentes na história do Pacto de Estabilidade e Crescimento" a ser seguido pelos 19 países do euro, escreve a Comissão nesta missiva, na qual também pede a Itália para apresentar as suas observações antes da "segunda-feira 22 de outubro ao meio-dia".

Bruxelas alerta para um risco de não cumprimento grave das normas europeias. Se Roma não alterar seu orçamento, a Comissão Europeia poderá rejeitá-lo antes do final do mês, algo que nunca aconteceu na história do bloco europeu.

Os outros 18 países da zona do euro, sujeitos às mesmas regras, acompanham de perto a situação da Itália, embora o comissário europeu para Assuntos Financeiros, Pierre Moscovici, tenha tentado reduzir a tensão quando entregou a carta ao ministro italiano Giovanni Tria.

- Quem paga a conta -

O Executivo comunitário não é "adversário da Itália", afirmou Moscovici em coletiva de imprensa com Tria, classificando Bruxelas como "árbitro". "O árbitro não é popular, mas faz as regras do jogo serem respeitadas".

Além da Itália, outros países que poderiam receber cartas semelhantes do Executivo da UE são a Bélgica e a Espanha, assim como a França e Portugal. No entanto, uma carta da comunidade, se aplicável, será para pedir mais informações.

"Como o governo vai financiar os novos gastos? Quem vai pagar a conta?", questionou, na capital italiana, o comissário europeu, que pediu uma "discussão muito aberta" com Roma e reiterou que não imagina "o euro sem a Itália", e vice-versa.

Já o ministro italiano de Finanças manifestou seu desejo de "aproximação suas posições das da UE". "Temos avaliações diferentes", mas agora estão abertos a um "diálogo construtivo".

A tensão entre o atual governo da Itália e Bruxelas é constante desde sua chegada ao poder, especialmente no aspecto migratório e com o ministro italiano do Interior, Matteo Salvini.

De Bruxelas, onde participa de uma cúpula europeia, o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, disse no dia 18 de outubro que "observações críticas" são esperadas. "Com o passar do tempo, acho o nosso orçamento cada vez mais bonito", acrescentou.

As preocupações sobre o orçamento italiano são ainda maiores considerando a dívida pública italiana (131% do PIB), a segunda maior dos países da zona do euro, atrás apenas da Grécia.

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