Páginas

sábado, 28 de julho de 2018

FMI prevê inflação de 1.000.000% para Venezuela até o fim do ano

Células do bolívar, moeda venezuelana.

Em meio à crise financeira e humanitária na Venezuela, o país deve ter uma hiperinflação de proporções épicas até o final de 2018: 1.000.0000%, informou o Fundo Monetário Internacional (FMI) no dia 23 de julho.

O colapso econômico do país se espalhará cada vez mais para os países vizinhos, alertou o FMI em sua perspectiva regional atualizada para a América Latina.

"Estamos projetando um aumento na inflação para 1.000.000% até o final de 2018 para sinalizar que a situação na Venezuela é semelhante à da Alemanha em 1923 ou do Zimbábue no final dos anos 2000", disse Alejandro Werner, chefe do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI.

No entanto, essa estimativa "tem um grau muito maior de incerteza" do que a maioria das previsões de inflação, ressaltou Werner a jornalistas. Ainda assim, se a taxa for de 1.200.000% ou de 800.000% "a destruição dos preços como o mecanismo de alocação de recursos já aconteceu".

A economia da Venezuela deverá sofrer uma contração de 18% este ano, o terceiro consecutivo de declínios de dois dígitos, informou Werner em comunicado.

Isso significa que o país que já está vendo fluxos de cidadãos fugindo da crise, enquanto os que ficam sofrem cada vez mais de doenças, falta de medicamentos e perda de peso por falta de alimentos, terá sofrido uma contração econômica 50% nos últimos anos.

- Arrastando a América Latina -

O especialista do FMI apontou para as "distorções" econômicas nas políticas da Venezuela, "incluindo a impressão de dinheiro para financiar o governo".

"A expectativa é de que o governo continuará com amplos déficits fiscais financiados inteiramente por uma expansão da base monetária, o que continuará a alimentar uma aceleração da inflação, à medida que a demanda por moeda continuará a colapsar", diz o comunicado.

Dados da Opep mostram que a produção de petróleo da Venezuela caiu ao nível mais baixo em 30 anos, a 1,5 milhão de barris por dia em junho, apesar de o país ter as maiores reservas de petróleo do mundo.

A nação sul-americana tira 96% de sua receita da venda de petróleo, mas no governo do presidente populista Nicolas Maduro, a falta de divisas provocou paralisia econômica, o que contribui para a grave escassez vivida no país.

O colapso da Venezuela reduz o crescimento da América Latina e do Caribe para 1,6% neste ano, quatro décimos abaixo da previsão anunciada pelo FMI em maio.

Excluindo a Venezuela, no entanto, a região "continua se recuperando" pela retomada do consumo, com um crescimento de 2,3% neste ano e de 2,8% em 2019.

A Argentina, que acaba de assinar um acordo de empréstimo com o FMI, deve ver seu crescimento econômico desacelerar para 0,4% este ano, em vez dos 2% previstos em maio. Mas o país deve ver "uma recuperação gradual em 2019 e 2020, que será apoiada pela confiança restaurada sob o programa de estabilização apoiado pelo Fundo", disse Werner.

Nenhum comentário:

Postar um comentário