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segunda-feira, 4 de junho de 2018

Privatizem a Petrobras

Petroleiros paralisaram parcialmente as atividades no dia 30 de maio em frente a Refinaria da Petrobras, no distrito industrial de Manaus (AM).

A recente greve de caminhoneiros e suas reivindicações sobre o preço do combustível tem sua origem em tempos bem mais idos do que a atual elevação de preço do diesel: todo o processo remonta do padrão histórico da própria Petrobras.

Em 2009, durante o governo Lula, foram sancionados créditos subsidiados e facilidade de pagamentos para que empresas e autônomos renovassem suas frotas de caminhões. Nesta época, a venda dos veículos disparou e como era de se esperar (ou não), a frota nas ruas cresceu espantosos 83%. Com o excesso de caminhões nas ruas, o valor do serviço de frete se tornou muito barato.

Em paralelo, a política de congelar preços de combustíveis na “canetada” causava prejuízos à Petrobras, que gastava mais do que ganhava vendendo seu produto – é daí, além dos desvios e da corrupção, que vem a dívida bilionária da empresa. Eventualmente, os preços precisariam voltar a subir, acompanhando o mercado internacional no preço do barril de petróleo.

O Brasil já estava em crise e seus gastos fora de controle. A Petrobras, como estatal, se tornaria então uma (ainda mais) preciosa fonte de arrecadação de dinheiro, bastando para isso aumentar os impostos que a população paga sobre seu produto e, consequentemente, aumentando os preços finais que chegam ao consumidor. O grande problema é que o diesel consumido pelos caminhoneiros compõe 60% do valor do frete, já que é através do serviço que o caminhoneiro consegue pagar seu combustível. Então, o valor do frete teve que subir com o valor do combustível mais caro, deixando mais caminhoneiros sem trabalho e sem condições de quitar as dívidas contraídas na época de “vacas gordas”. Estes mesmos caminhoneiros iniciaram a greve para que os impostos do combustível sejam abolidos e parte do valor do diesel seja subsidiado pelo governo. A medida fará com que o dinheiro dos impostos que todos pagamos seja usado para ajudar a classe dos caminhoneiros, e todo o mundo, mesmo quem não se beneficiou das antigas políticas de subsídio, vai pagar esta conta: podem esperar ver o governo, daqui a alguns meses, aumentando impostos ou taxas de outros setores (provavelmente de setores que não conseguirão mobilizar-se em uma greve) para compensar a solução que é ofertada aos caminhoneiros hoje.

Além disso, a greve e o desabastecimento geram escassez de diversos itens essenciais para a nossa subsistência, colocando em ação a lei da oferta e demanda. Produtos mais raros encarecem e preços de mercadorias comuns que agora estão em falta precisam ser elevados, como forma de sinalizar ao consumidor que aquele produto está pouco disponível, cobrando caro para que somente em caso de real interesse (ou neste caso, necessidade) as pessoas o adquiram.

Se a gasolina, por exemplo, não ficasse mais cara com o desabastecimento, todas as pessoas encheriam seus tanques e o produto que está escasso se esgotaria rapidamente, evitando que ambulâncias, viaturas e outros veículos úteis para a sociedade como um todo pudessem estar à disposição do serviço em comum. Esta medida, a princípio criticada pela maioria das pessoas, é justamente o que preserva o nosso bom senso em horas de desespero generalizado.

A questão é que os desajustes a que somos submetidos hoje poderiam ter sido evitados com uma gestão mais responsável do dinheiro público e da Petrobras em si.

A empresa por si só já é um monopólio, detendo cerca de 98% do mercado de refinaria – quebrar este monopólio permitiria o sistema de concorrência, trazendo preços mais baixos para o consumidor e também investimentos de outros lugares do mundo, que aqueceriam a economia brasileira e poderiam representar todo um leque de inovações tecnológicas e redução de custos em geral.

Sendo estatal, ainda, todo o prejuízo que a Petrobras tem (e sabemos que não é insignificante) é pago com dinheiro público – eu e você trabalhamos seis meses por ano exclusivamente para sustentar as vísceras inchadas deste governo obeso e suas empresas cupinchas. Tiradentes arriscou o pescoço por muito menos do que os 40% de carga tributária que enforcam o brasileiro secular.

O protecionismo nacional que exala da empresa, com o batido lema de que “o petróleo é nosso”, reduz as nossas opções de fornecimento em todas as etapas do processo de produção de combustível e mantém os preços altos e pouco competitivos entre seus distribuidores, que hoje são praticamente cartelizados. Além disso, a liberalidade do governo em tratar os preços a seu bel-prazer empurra o Brasil na direção de nossa mais desafortunada vizinha, a Venezuela.

Uma Petrobras privatizada (e leia-se aqui realmente afastada de conluios com o governo, e não fatiada e entregue de mão beijada aos oportunistas amigos do rei) seria obrigada a arcar com seus próprios prejuízos, sem sugar o trabalho e o esforço do brasileiro da maneira que faz hoje: à exaustão.

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