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domingo, 10 de junho de 2018

'A Venezuela começou assim', dizem distribuidoras de combustíveis sobre controle de preços

'A Venezuela começou assim', dizem distribuidoras de combustíveis sobre controle de preços.

As distribuidoras de combustíveis dizem desconhecer base legal para o controle de preços nos postos e criticaram declarações sobre o uso de força policial para garantir que o repasse dos descontos prometido pelo governo chegue de forma integral às bombas.

"A Venezuela começou assim", disse Leonardo Gadotti, presidente da Plural, entidade que representa o setor de distribuição, em entrevista no dia 05 de junho, criticando a ameaça de uso de força e o tabelamento de preços.

Gadotti disse que as distribuidoras já estão repassando os descontos recebidos, mas que a comunicação do governo "não é coerente" ao prometer o repasse de R$ 0,46 neste momento, já que a mistura vendida nos postos tem 10% de biodiesel, que não tem desconto.

Assim, disse ele, o repasse dos descontos ao preço final chegaria, no máximo, a R$ 0,41. "Os R$ 0,46 que foram divulgados não chegam às bombas por si só", disse o executivo. "Não é um discurso coerente e está colocando a população contra o negócio de distribuição de combustíveis", completou.

Segundo Gadotti, para chegar ao valor prometido pelo governo, é preciso que os estados reduzam a cobrança de ICMS, que é cobrado sobre um preço de referência calculado pelas secretarias de Fazenda a cada 15 dias.

Até o momento, apenas São Paulo e Espírito Santo reduziram o preço de referência. Assim, os consumidores paulistas já podem ter desconto de R$ 0,46. Os capixabas terão R$ 0,47, diz a Plural. No restante, o repasse fica, no máximo, em R$ 0,41 por litro.

As empresas do setor alertam ainda para risco de alta nos custa de distribuição, com o estabelecimento de uma tabela de fretes. O transporte é feito por transportadoras contratadas, que terão menor custo com diesel mas poderão cobrar o frete tabelado.

Gadotti defendeu a política de preços da Petrobras, alegando que manter os valores alinhados às cotações internacionais é essencial para atrair investimentos e garantir previsibilidade para os investidores.

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