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quinta-feira, 8 de março de 2018

Criação de vagas se espalha por vários setores da economia

Criação de vagas se espalha por vários setores da economia.

Em um reflexo do aumento da confiança e reação do consumo, a indústria de transformação foi o setor que mais gerou vagas com carteira assinada em janeiro, obtendo o melhor resultado para o mês desde 2011.

Dados divulgados no dia 02 de março pelo Ministério do Trabalho mostram que foram criados 49,5 mil empregos formais no setor, desempenho influenciado pelas indústrias calçadista, têxtil e metalúrgica. Todos os demais segmentos também ficaram no azul no mês retrasado.

"É um excelente sinal de confiança industrial. O que mais está crescendo são os bens destinados ao consumo final. Embora ainda haja desemprego, quem tem renda está ganhando da inflação já há algum tempo", afirma Hélio Zylberstajn, do Departamento de Economia da USP.

Essa retomada também pode ser vista em serviços, onde o balanço foi positivo em 46,5 mil vagas, e até na construção civil: o setor gerou 14,9 mil postos, com o segmento construção de edifícios gerando 5,6 mil vagas.

O comércio, que tradicionalmente elimina vagas em janeiro, teve um saldo negativo de 48,7 mil empregos no período. Mesmo assim, um quadro melhor do que o do mesmo mês de 2017, quando as demissões superaram as contratações em 60 mil.

No balanço geral, o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) informou que o país criou 77,8 mil postos de trabalho com carteira assinada, melhor resultado para meses de janeiro desde 2012.

"Levando em consideração o que aconteceu nos últimos anos, foi um dado favorável. Destaco a disseminação da geração de vagas. Não ficou concentrado em um ou outro setor", avalia João Saboia, professor emérito da UFRJ.

Ele lembrou que os dados ainda não apontam para uma recuperação dos níveis pré-crise. Em janeiro de 2010, por exemplo, o país criou 180 mil vagas.

"Este ano será de crescimento mais vigoroso da indústria. Mas as eleições --ainda mais um pleito que acontece em um cenário pós-impeachment-- são um fator de incerteza", diz Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).

A perspectiva não é tão boa para a taxa de desemprego, que, para Zylberstajn, só deve voltar ao patamar de 5% dentro de alguns anos.

"Há um contingente expressivo de pessoas que saíram do mercado e que podem voltar a buscar emprego em um cenário de retomada", lembra Clemente Ganz, do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos).

As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste foram, nesta ordem, as que mais criaram empregos. Os números mostram saldos positivos de, respectivamente, 46,7 mil, 21,9 mil e 20,4 mil. Já o Nordeste e o Norte registraram mais demissões que contratações.

A criação de vagas formais do trabalho intermitente, aprovado na reforma trabalhista, foi de 2,4 mil, montante um pouco abaixo do registrado em dezembro de 2017 (+2,5 mil).

Já a jornada parcial de trabalho criou 1,4 mil vagas no mês retrasado, enquanto que em dezembro o saldo havia sido negativo em mil vagas.

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