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sábado, 24 de março de 2018

Cinco médicos de Nova York acusados de receitar opioides em troca de subornos

Cinco médicos de Nova York foram acusados de aceitar centenas de milhares de dólares em subornos de uma empresa farmacêutica para prescrever fentanil.

Cinco médicos de Nova York foram acusados, no dia 16 de março, de aceitar centenas de milhares de dólares em subornos de uma empresa farmacêutica para prescrever fentanil, um remédio para a dor poderoso e viciante, em um caso que mostra como a justiça americana tenta frear a crise dos opioides.

Os cinco médicos prescreveram em excesso durante meses um spray de fentanil, um analgésico 50 a 100 vezes mais poderoso que a morfina, em troca de subornos do fabricante, que declaravam como se fossem honorários para dar palestras, indicou a ata de acusação publicada no dia 16 de março pelo promotor federal de Manhattan.

O promotor não informou o nome do laboratório, mas todos os detalhes correspondem à empresa Insys.

Em agosto passado, a Insys, baseada no Arizona, aceitou cooperar com a justiça e pagar 4,5 milhões de dólares de multa após ter sido acusada de práticas fraudulentas para promover seu spray de fentanil "Subsys", em princípio reservado às dores vinculadas ao câncer.

Dois empregados da Insys se declararam culpados e participaram na investigação que levou à prisão dos médicos.

Os cinco médicos são acusados de terem participado no sistema de "falsos honorários" da Insys.

Um deles, Gordon Freedman, de 57 anos, teria recebido mais de 300.000 dólares em falsos honorários em troca de um aumento de suas prescrições do aerossol de fentanil.

Também foi o palestrante mais bem pago da Insys em 2014: apenas no último trimestre desse ano, prescreveu o medicamento por um valor de mais de 1,1 milhão de dólares, disse o promotor.

Os outros quatro médicos - Jeffrey Goldstein, Todd Schlifstein, Dialecti Voudouris e Alexandru Burducea - foram acusados de receber entre 68.000 e 196.000 dólares em falsos honorários para promover o medicamento.

Eles podem ser condenados a mais de 20 anos de prisão.

O caso ilustra a ação crescente da justiça americana contra a prescrição exagerada de medicamentos contra a dor como o fentanil e a oxicodona, na origem da crise de dependência de opioides que matou 63.600 pessoas por overdose em 2016 nos Estados Unidos.

As prisões nos meios médico e farmacêutico por prescrição excessiva destes medicamentos se tornaram quase cotidianas nos Estados Unidos.

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