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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

EUA alertam sobre China e Rússia ao lançar sua visão sobre Américas

O secretário americano de Estado, Rex Tillerson, em Washington DC, em 30 de janeiro de 2018.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos alertou no dia 1º de fevereiro para a "crescente" e "alarmante" presença de China e Rússia na América Latina, ao divulgar a visão do governo de Donald Trump sobre o continente americano.

O secretário de Estado, Rex Tillerson, promoveu um enfoque de crescimento econômico, segurança e democracia para as Américas, em contraste com a Venezuela "corrupta e hostil" de Nicolás Maduro, antes de partir em sua primeira grande viagem pela região.

Em um discurso na Universidade do Texas, em Austin, onde o ex-diretor executivo da ExxonMobil se formou, advertiu sobre o desembarque de Pequim e Moscou na região e convocou os governos a cooperarem mais com os Estados Unidos.

"A América Latina não precisa de novos poderes imperiais que só buscam beneficiar seu próprio povo", afirmou.

"O modelo de desenvolvimento liderado pelo Estado da China lembra o passado. Não tem que ser o futuro do hemisfério", acrescentou, destacando que "as práticas comerciais desleais" custariam empregos locais.

"A crescente presença da Rússia na região também é alarmante", continuou, queixando-se de que Moscou venda armas a "regimes (...) que não compartilham, nem respeitam o processo democrático".

Tillerson lembrou que "os governos que prestem contas ao seu povo também asseguram sua soberania frente a possíveis predadores".

"Com os Estados Unidos têm um sócio multinacional, um que beneficia os dois lados", enfatizou antes de iniciar uma viagem de seis dias por México, Argentina, Peru, Colômbia e Jamaica.

- Venezuela e Cuba: 'priorizar' democracia -

Tillerson também destacou a crise econômica e política na Venezuela, uma das principais preocupações de Washington na América Latina.

"O regime corrupto e hostil de Nicolás Maduro na Venezuela se agarra a um sonho irreal, uma visão da região que decepcionou seu povo", disse Tillerson.

Sob a presidência de Maduro, o país com as maiores reservas de petróleo do mundo enfrenta a queda de sua economia, em meio à escassez de remédios e alimentos, uma grande instabilidade política e um êxodo constante de venezuelanos buscando um futuro melhor.

Tillerson lembrou as sanções a Caracas impostas por Estados Unidos, Canadá e União Europeia, e pediu à América do Sul que se some em seu rechaço a Maduro. "Continuaremos pressionando", disse.

Em seu primeiro ano de governo, além de lutar contra Maduro, Trump esfriou a aproximação com Cuba, iniciada por seu antecessor, Barack Obama.

"O futuro de nossa relação depende de Cuba. Os Estados Unidos seguirão apoiando o povo cubano em sua luta por liberdade", declarou Tillerson.

"Venezuela e Cuba nos lembram que para que nossa região cresça e prospere devem priorizar e promover valores democráticos", acrescentou.

- Crime organizado, 'a ameaça mais imediata' -

Horas antes de sua chegada à Cidade do México, onde debaterá sobre segurança e imigração com funcionários de alto escalão, Tillerson advertiu sobre a necessidade de lutar contra os violentos cartéis de drogas.

"A ameaça mais imediata ao nosso hemisfério são as organizações criminosas transnacionais", disse. "Em sua busca por dinheiro e poder, deixam morte e destruição em sua passagem".

Sobre a Colômbia, um dos principais sócios dos Estados Unidos na região, mas também origem de 92% da cocaína apreendida no país, Tillerson reiterou o apoio de Washington aos esforços de pacificação com as guerrilhas comunistas, mas disse que "os desafios persistem".

"Infelizmente, o cultivo de coca disparou", disse, assinalando que "há trabalho à frente", embora tenha destacado que o diálogo com as autoridades é "aberto e franco".

Para muitos, nada simboliza melhor a postura atual dos Estados Unidos com os países ao sul que a determinação protecionista de Trump de levantar um muro na fronteira com o México, com o qual pretende frear a imigração ilegal e o tráfico de drogas.

Mas Tillerson, que muitas vezes deve explicar que o lema de Trump "Estados Unidos primeiro" não significa "Estados Unidos sozinho", quer promover um enfoque mais positivo das relações com seus vizinhos da América Latina e do Caribe.

"Compartilhamos uma história e uma cronologia entrelaçadas. Nossas nações ainda refletem o otimismo do Novo Mundo diante da descoberta ilimitada", disse em Austin.

"E, o mais importante, compartilhamos valores democráticos, valores que são o núcleo do que acreditamos, independentemente da cor de nosso passaporte".

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