Páginas

sábado, 27 de janeiro de 2018

Davos põe mulheres à frente, mas homens continuam no comando

As sete copresidentes do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, em 23 de janeiro de 2018.
Diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI),Christine Lagarde, durante coletiva de imprensa do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, em 22 de janeiro de 2018.

Apesar de ter preparado diversas mesas redondas sobre assédio sexual e desigualdade salarial e de, neste ano, ser copresidido por sete mulheres, o Fórum Econômico de Davos, com apenas 21% de delegadas, continua sendo um evento predominantemente masculino.

A reunião anual exclusiva na estação de esqui suíça dos Alpes abriu nesta terça com uma imagem simbólica: as sete copresidentes do evento, oficialmente presidido por Klaus Schwab, criador do fórum.

Pela primeira vez, a função honorífica é ocupada apenas por mulheres, e muitos dos seminários deste ano são dedicados à questão de gênero.

Elas são Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Isabelle Kocher, diretora do grupo Engie, Sharan Burrow, secretária-geral da Confederação Internacional de Sindicatos, Erna Solberg, a primeira-ministra norueguesa, Fabiola Gianotti, diretora-geral da Organização Europeia para a Análise Nuclear, Ginni Rometty, diretora da IBM e a ativista indiana Chetna Sinha.

"Espero que possamos demostrar coletivamente que, inclusive sem testosterona, é possível (...) encontrar soluções" para os problemas do mundo, disse Lagarde.

Mas, na verdade, a testosterona é abundante em Davos, fórum onde a participação de mulheres avança, a duras penas, com o tempo: 18% em 2016, 20% em 2017 e 21% neste ano.

- 217 anos para a igualdade salarial -

Para Saadia Zahidi, membro do comitê executivo do Fórum Econômico Mundial (WEF), que organiza o evento, a falta de mulheres tem vários motivos.

Em alguns setores, "não há mulheres suficientes", e em outras, ao contrário, há muitas, mas "não estão em pé de igualdade", explica à AFP.

Segundo estudo publicado recentemente pelo WEF, as desigualdades entre homens e mulheres se acentuaram em 2017 pela primeira vez em dez anos.

Neste ritmo "serão necessários 217 anos para alcançar a igualdade salarial. Como é possível que o mundo tenha que esperar tanto tempo?", disse à AFP Winnie Byanyima, ativista ugandesa e diretora da ONG Oxfam.

Em uma mesa redonda sobre a liderança de mulheres, Byanyima lembrou que as mulheres, trabalhadoras ou empregadas domésticas, estão "no último escalão da cadeia de produção" e são as principais vítimas de abuso sexual e da violência.

Sharan Burrows, secretária-geral da Confederação Internacional de Sindicatos, não se preocupou em fazer alusão à presença de Donald Trump no evento - acusado por algumas mulheres de comportamentos sexuais inadequados.

"A chegada ao poder dos 'machos alfa' desatou uma onda de misoginia", explicou à AFP, em um contexto de denúncia de abusos com o movimento #metoo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário