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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Reforma fiscal nos EUA é ameaça para os pobres, segundo ONU

Mulher sem-teto na rua em Nova York.

A reforma fiscal atualmente discutida no Congresso americano ameaça implodir o sistema de assistência social para os mais pobres, afirmou no dia 15 de dezembro uma especialista da ONU em Washington.

Philip Alston, relator especial das Nações Unidas sobre a pobreza extrema e os direitos humanos, fez as declarações ao concluir uma visita de duas semanas aos Estados Unidos e a Porto Rico, onde estudou "como a pobreza extrema afeta o respeito aos direitos humanos".

O vasto projeto de reforma fiscal e redução de impostos, proposto pelo presidente Donald Trump, "representaria um aumento mais forte das desigualdades que alguém pode imaginar", se for aprovado, afirmou Alston em coletiva de imprensa.

Para financiar a reforma, o governo da maior potência econômica mundial, "foca em fazer grandes economias e encerrar vários programas" sociais, que "vão fazer explodirem" os sistemas de proteção social, alertou o diplomata australiano.

"O projeto de reforma fiscal é essencialmente uma tentativa de fazer dos Estados Unidos o campeão mundial de desigualdade extrema", disse.

O governo de Trump apresentou a reforma, que deve ser votada antes do Natal, como "a maior redução de impostos da história", para estimular o crescimento, os salários, os lucros das empresas e repatriar as receitas de multinacionais. Mas alguns especialistas estimam que isso só beneficiará os mais ricos.

Nos Estados Unidos, 12,7% da população, cerca de 40,6 milhões de pessoas, vivem abaixo da linha de pobreza. A taxa de pobreza entre os brancos não hispânicos é de 8,8%, enquanto entre os negros é de 22% e entre os hispânicos é de 18,4%.

Alston denunciou justamente a "dimensão racial" da pobreza. Mas existem também "brancos vivendo na pobreza extrema no país" e "os golpes no sistema social são para todo mundo", afirmou.

Ele também criticou os obstáculos administrativos que impedem os mais pobres de "fazer valer seus direitos civis e políticos".

Alston deve apresentar seu relatório final ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em junho de 2018 em Genebra.

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