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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Venezuela distribui remédios em severa escassez a 35.000 doentes

Mulher exibe cartaz pedindo remédios para pacientes transplantados durante protesto contra a escassez de medicamentos na Venezuela, em Caracas, 20 de novembro de 2017.

O governo da Venezuela iniciou no dia 25 de novembro a distribuição gratuita de medicamentos a 35.651 pacientes, em um plano estatal que visa a mitigar a aguda escassez de remédios no país, estimada em 95% pelo sindicato médico.

O presidente Nicolás Maduro relançou em outubro o sistema 0800SaludYa, para a solicitação de medicamentos por telefone. Quem fizer o pedido deve ter o 'Carnê da Pátria', um cartão eletrônico que dá acesso a programas sociais que a oposição denuncia como um instrumento de "controle social".

"Estamos fazendo entregas em dez (de 24) estados, cobrindo 72% das solicitações", disse neste sábado o ministro da Saúde, Luis López, à emissora oficial VTV de um dos pontos habilitados para a distribuição.

A partir desta quarta-feira, anunciou López, o atendimento se estenderá ao restante das regiões.

O número de beneficiários, no entanto, está longe de satisfazer à demanda. Francisco Valencia, presidente da ONG Coalizão de Organizações pelo Direito à Saúde e à Vida (Codevida), disse à AFP que 300.000 pacientes crônicos são afetados pelo desabastecimento de medicamentos.

Valencia qualifica de "alarmante" a "ausência absoluta e prolongada" de remédios básicos para o tratamento de doenças como insuficiência renal, câncer ou esclerose múltipla.

Segundo a ONG, pessoas transplantadas correm o risco de perder seus órgãos.

No dia 20 de novembro, pacientes e seus familiares fizeram uma passeata até as embaixadas de Canadá, Costa Rica, Holanda e Peru para pedir que estes países pressionem Caracas para abrir "um canal humanitário" para a entrada de medicamentos no país. Isto, após a morte de dois transplantados devido à falta de remédios nas duas semanas anteriores.

Embora o governo negue a existência de uma "crise humanitária", Maduro denuncia que as sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos contra a Venezuela afetaram as operações para importar comida e remédios.

López asseverou que a iniciativa relançada do governo busca "romper o bloqueio que se quer implantar".

A escassez disparou desde 2014, com a queda a menos da metade dos preços do petróleo, fonte de 96% das divisas venezuelanas. O governo, em sérios problemas financeiros, cortou a importação de remédios e de insumos para produzi-los.

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