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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Útero artificial pode permitir processo onde bebês crescem fora do corpo

Uma tecnologia inovadora está ajudando bebês prematuros a desenvolverem-se por completo e sem muitos riscos. Trata-se do útero artificial, que incubou com sucesso alguns cordeiros durante uma semana. O método de incubação artificial foi desenvolvido por meio de uma parceria de cientistas australianos, japoneses e de outros países.

Inovação

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 15 milhões de bebês nascem prematuros a cada ano. Este número deverá aumentar, trazendo mais bebês para o mundo antes das 37 semanas de gestação. Com a estimativa crescente, as preocupações em relação às complicações de parto também aumentaram, uma vez que partos prematuros foram responsáveis ​​por quase 1 milhão de óbitos em 2015, tornando-se a principal causa de morte entre crianças menores de 5 anos de idade. Felizmente, uma série de intervenções, como o útero artificial, estão ajudando a diminuir esta taxa.

O desenvolvimento de câmeras de incubação e placentas artificias são inovações que possibilitam que os bebês continuem crescendo fora do útero. Outro exemplo é o ventre artificial criado por uma equipe de pesquisadores da Women and Infants Research, da Universidade da Austrália Ocidental e do Hospital da Universidade de Tohoku, no Japão.

"Projetar estratégias de tratamento para bebês prematuros é um desafio. Nesta idade gestacional, os pulmões são muitas vezes estruturalmente e funcionalmente subdesenvolvidos para o bebê respirar facilmente”, afirmou o pesquisador Matt Kemp em uma nota à imprensa. O trabalho desenvolvido por esses profissionais foi publicado no The American Journal of Obstetrics & Gynecology, tendo uma abordagem diferente. A estratégia segundo Kemp, é tratar os recém-nascidos prematuros não como bebês, mas como fetos.


EVE
Incubação de cordeiros em útero artificial evidencia avanço em tecnologias que podem salvar bebês prematuros.

O experimento se deu com a incubação de bebês cordeiros ​​em um ambiente uterino ex-vivo (EVE) por um período de uma semana. "No seu núcleo, nosso equipamento é essencialmente um banho de líquido amniótico de alta tecnologia combinado com uma placenta artificial. É necessário colocá-los juntos, e fazer uma cuidadosa manutenção, por conta do ventre artificial”, explicou o pesquisador.

Ele ainda acrescentou que "ao fornecer um meio alternativo de troca de gás para o feto, espera-se poupar o sistema cardiopulmonar prematuro da lesão derivada da ventilação e salvar a vida dos bebês, cujos pulmões são muito frágeis para respirar adequadamente. O objetivo final é proporcionar aos bebês prematuros a chance de desenvolver melhor seus pulmões e outros órgãos importantes antes de serem trazidos para o mundo. E é isso o que torna o dispositivo revolucionário”.

Os cientistas também esperam que a terapia EVE e o útero artificial possam ajudar a trazer bebês humanos prematuros ao mundo. "Agora temos uma compreensão muito melhor do que funciona e do que não, e, embora seja necessário um desenvolvimento significativo, um sistema de suporte de vida baseado na terapia EVE pode proporcionar um caminho para melhorar os resultados para bebês prematuros", concluiu Kemp.

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