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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O método sul-coreano de crescimento; e por que o Brasil deveria segui-lo

Se voltarmos no tempo para a década de sessenta (mesma década em que se iniciava a ditadura militar no Brasil) e olharmos para a Coreia do Sul, nossos olhos irão se deparar com a pobreza sul-coreana.


E a pobreza era tão grande que, ainda em 1962, a Coreia do Sul tinha níveis de pobreza que superavam até mesmo os níveis de pobreza de países como Moçambique – o mesmo país que, 2 anos depois, estaria entrando em sua guerra pela independência.

Mas o tempo tinha planos especiais para os sul-coreanos , e o que era um dos países mais pobres do mundo na década de sessenta se tornou hoje um dos países mais prósperos do mundo. Tanto que, no periodo de 1964 a 2014, a economia da Coreia do Sul cresceu em média 7% ao ano, tendo uma contração economica apenas em dois anos no mesmo período.

Como ela fez isso, e porque o Brasil deve se espelhar nisso, você confere a seguir:

Reformas Econômicas

A Coreia do Sul, principalmente após o fim de sua guerra contra a Coreia do Norte em 1953, enfrentava problemas econômicos sérios. O país era muito fechado economicamente, e não tinha nenhum parceiro comercial de peso.
Coreia do Sul acabou se tornando um ponto de investimento de peso destas nações.

A partir de 1962, esse problema foi sendo resolvido aos poucos com um mercado mais aberto e com grandes parceiros comerciais, com destaque para Estados Unidos e Japão. O interessante é que ela teve tanto sucesso em seus acordos com os EUA e o Japão, que acabou se tornando um ponto de investimento de peso destas nações. (acredite se quiser, mas em um dado momento, os investimentos americanos no país chegaram a representar 60% de todo o capital produtivo investido)

Mas o país é não só um ponto de investimento, mas um grande ponto comercial. Suas exportações e importações somadas davam, em 2015, o total de 995 bilhões de dólares. O grande beneficiado disso é também o seu grande parceiro atual, a China, que é o destino final de 25% de suas exportações.


No final, as grandes reformas economicas e a abertura comercial garantiram a prosperidade ao país, e o Brasil precisa seguir estes passos se quiser ter o mesmo sucesso.

De acordo com Thiago Nigro, criador do canal O Primo Rico e entusiasta do Código da Riqueza, o Brasil precisa aproveitar o comércio exterior: “O Brasil sofre com a falta de parceiros comerciais. Nosso país exporta muita commoditie, mas não tem grandes acordos comerciais, e os que tem são com países de pouca expressão no comercio mundial. Estamos fora da maioria dos acordos importantes, e ficar restringido só ao Mercosul nos prejudica demais. Se o Brasil quer ter sucesso num mundo tão globalizado, essa realidade precisa ser mudada”.

O Código da Riqueza será uma série, em quatro capítulos, totalmente gratuita sobre dinheiro, investimentos, negócios e empreendedorismo e você pode saber mais clicando aqui .

A China, por exemplo, pode ser uma grande aliada nessa mudança. Basta o Brasil querer.

Priorizar a educação

Ainda após o fim da guerra contra a sua irmã, a Coreia do Sul enfrentava problemas sociais sérios. A educação, porém, não era um deles. 

A grande realidade é que até mesmo antes da guerra, o alfabetismo da Coreia do Sul já era alto comparado aos padrões asiáticos, e isso, em partes, foi principalmente culpa da ocupação japonesa em terras sul-coreanas.
Padrão de boa educação se tornou uma tradição com as melhorias no relacionamento com o povo japonês.

Este padrão de boa educação se tornou uma tradição entre o povo, principalmente com as melhorias no relacionamento com o povo japonês. E a tradição educacional se tornou tão forte que o país erradicou o analfabestimo ainda em 1960, sem nem começar a sua guinada ao sucesso.

Tudo isso melhorou o capital humano do país, e sua educação voltada para a produtividade transformou seu povo em um povo produtivo, preocupado com a geração de valor e com o trabalho qualificado. Não é a toa que em 2015 o país tinha, em média, uma renda per capita anual de 34.6 mil dólares – mais que o dobro da média do Brasil, que no mesmo período estava em 15.4 mil dólares.

A regra é clara: capital humano é uma das fundações de uma nação desenvolvida. E o Brasil, de longe, não tem a qualidade necessária na melhoria da formação de sua população. 

A educação no Brasil, assim como foi na Coreia do Sul, precisa ser prioridade. Será dessa forma que teremos pessoas mais produtivas e mais informadas, capazes de levar o Brasil para frente.

Investir em Tecnologia

Os dois passos anteriores da Coreia do Sul resultaram em um efeito positivo: tornaram o país em um país com grande potencial de criação de tecnologia. 

E não demorou nada para eles abraçarem essa ideia. A Coreia do Sul foi o berço de marcas sucesso mundial como a Samsung, LG e Hyundai. Mais ainda: é uma grande exportadora de recursos tecnólogicos, tendo 12% de suas exportações advindas de circuitos integrados e 7.8% de carros.
A tecnologia e a industria prosperam no país, com uma liberdade para negócios.

A tecnologia e a industria prosperam no país, com uma liberdade para negócios incrivelmente alta – que está entre as 10 melhores do mundo, segundo a fundação Heritage.

O Brasil consegue chegar nessa realidade, mas precisa caminhar muito ainda. A liberdade de negócios no Brasil é pifia, e a burocracia é tanta que restringe o sucesso de muitas empresas e pessoas com potencial.

O resultado é inevitável: mais da metade dos empreendimentos no Brasil enfrentam problemas financeiros, e os grandes talentos do país acabam migrando para países em que é mais fácil de se negociar. O Brasil perde aqui uma grande oportunidade, e, com certeza, melhorar seu ambiente de negócios, retirando toda a burocracia desnecessária, é uma medida que precisa ser feita.

Tornando a crise uma oportunidade

Estamos em um momento do nosso país que, assim como mencionado diversas vezes neste texto, a Coreia do Sul passou em seu passado.

Acontece que, assim como grandes investidores, a Coreia do Sul transformou a crise em uma oportunidade. Ela se aproveitou das várias crises do petróleo no mercado asiático e da necessidade de mudança no país, e fez todas as mudanças necessárias acontecer.
A Coreia do Sul transformou a crise em uma oportunidade. Chegou a hora do Brasil.

Querendo ou não, é na instabilidade que as medidas necessárias precisam ser tomadas, e os sul-coreanos fizeram isso sem pensar duas vezes. Chegou a hora de mostrar que o Brasil também pode fazer isso. E temos todo o espaço possível.


Algumas mudanças são mais difíceis que as outras, é verdade. Mas não se faz nada enquanto não se arregaçar as mangas e ir a luta. Temos que avivar a nossa esperença, assim como a Coreia do Sul fez, e com isso é bem provável que também veremos o nosso país disparar com um crescimento arrebatador.

Para fazermos isso acontecer, a Coreia do Sul nos deu quatro excelentes tópicos: reforma econômica, educação, tecnologia e mindset para a mudança.

Foi o que ela fez. E que provou que é um sucesso.

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