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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Com novo modelo para o setor elétrico, conta de luz pode ficar 16,7% mais cara

Desestatização pode fazer tarifas da conta de luz registrarem aumento ao consumidor.

A conta de luz do brasileiro pode ficar até 16,7% mais cara com a nova proposta para o setor elétrico, dependendo da distribuidora e do preço praticado no mercado. O percentual consta de simulações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apresentadas na consulta pública que sugere mudança no regime de venda de energia de 14 usinas hidrelétricas antigas da Eletrobras.

De acordo com a proposta, a empresa poderia voltar a comercializar a energia a preço de mercado em troca do pagamento de um bônus à União. Chamado de descotização, esse processo faria as tarifas subirem de 2,3% a 7,1%, dependendo da distribuidora, caso o preço do megawatt-hora passe de R$ 40 (valor cobrado no regime de cotas em condições normais dos reservatórios) para R$ 150. Caso o megawatt-hora seja vendido a R$ 200, preço próximo aos praticados no mercado financeiro nos contratos de energia para 2018, o impacto ficaria entre 3,8% e 11,9% na conta de luz .

Fazendo outra simulação, as contas teriam aumento de 5,3% a 16,7% se o preço de mercado do megawatt-hora fosse R$ 250. As simulações consideram que a Eletrobras conseguria pagar os bônus por todas as hidrelétricas que operam sob o regime de cotas. Se a Eletrobras pagasse os bônus de apenas metade das usinas, informou a Aneel, as tarifas aumentariam de 1,9% a 5,9%, se fossem cobrados R$ 200. Com preço de R$ 250, o impacto ficaria entre 2,7% e 8,3%.

Além disso, parte do aumento poderia ser compensada com a transferência do risco hidrológico dos consumidores para as usinas. Atualmente, em caso de secas que provoquem queda nos níveis dos reservatórios, os consumidores pagam uma tarifa extra na conta. No novo modelo, o governo está propondo que as usinas assumam o risco e arquem com os custos extras.


Privatização

Ao criar o atual modelo do setor elétrico em 2013, o governo Dilma Rousseff renovou automaticamente as concessões de usinas hidrelétricas. Em troca, as usinas teriam de vender energia mais barata sob um regime de cotas, por um preço que apenas cobre o custo de manutenção e de operação.

A proposta para uma medida provisória que alteraria o modelo do setor elétrico está em consulta pública desde o início de julho e abre a possibilidade de que as usinas voltem a vender a energia pelo preço de mercado. No entanto, elas teriam de pagar bônus de descotização que podem render até R$ 20 bilhões à União. Com dívidas de R$ 43,5 bilhões, a Eletrobras atualmente não tem caixa para fazer essas operações, mas a empresa pode levantar pelo menos parte do dinheiro após a desestatização.


A Aneel ressaltou por meio de nota que a privatização da Eletrobras e a descotização são processos separados. “As contribuições da Aneel à Consulta Pública nº 33 foram apresentadas observando exclusivamente a perspectiva da ‘descotização’, não sendo correto fazer qualquer vinculação à privatização da Eletrobras – matéria essa que ainda está sendo detalhada pelo governo, o que tornaria prematura qualquer análise de impacto tarifário por parte da agência”, informou o texto sobre o possível aumento na conta de luz.

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