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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Propina na Agricultura pagou até faculdade de Medicina, diz PF

Coletiva da Polícia Federal do Tocantins.

Principal investigada da Operação Lucas, aberta pela Polícia Federal no dia 16 de maio, a ex-chefe de fiscalização do Ministério da Agricultura no Tocantins, Adriana Carla Floresta, teria recebido propina de frigoríficos e laticínios durante seis anos. Segundo a PF, as empresas teriam pagado até mensalidades escolares de cursos de medicina.

Os dois filhos de Adriana são médicos e também foram presos provisoriamente na operação. Em coletiva, os delegados da polícia disseram que é certo que ao menos uma das faculdades foi paga pelo esquema de corrupção, e que todo o núcleo familiar da servidora, que chegou a exercer interinamente a superintendência do Ministério no estado, foi beneficiado ilicitamente pelos recursos.

A Operação Lucas não visou possíveis comprometimentos à saúde pública relacionados ao pagamento de propina e focou exclusivamente na corrupção de agentes públicos. Após a quebra do sigilo fiscal e bancário de Adriana Feitosa, os agentes identificaram cerca de oito milhões de reais de pagamentos que não tinham relação com o recebimento de salários – 2,2 milhões foram bloqueados em contas. Desse montante, um recebimento em peso de valores oriundos de frigoríficos e laticínios.

Entre as empresas, os responsáveis pela ação da Polícia Federal identificaram sete: Frangonorte, Latício Veneza, Santa Isabel Alimentos, Frigorífico Minerva, Masterboi, Latícinio Fortaleza e Latícinio Palac. Procurado pelo site de VEJA, o Frigorífico Minerva afirmou que “está sempre colaborando com as autoridades para a investigação envolvendo servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A Companhia reforça que segue rígidas normas de governança corporativa e que cumpre toda a legislação aplicável em suas operações, adotando rigorosos padrões de qualidade e segurança.”

O Frangonorte, a Masterboi e o Laticínio Palac foram contatados, mas não haviam respondido até a publicação desta nota. Funcionários das empresas Laticínios Veneza e Santa Isabel Alimentos afirmaram que os representantes não se encontravam no local para comentar. O Laticínio Fortaleza não foi encontrado.

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