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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Alta de passagem aérea e ‘viagem curta’ elevam demanda por ônibus

As festas de fim de ano divididas em dois finais de semana fazem com muitos clientes optem por fazer duas viagens curtas.

As vendas de passagens de ônibus ganharam um impulso extra neste fim de 2016. A alta dos preços das passagens aéreas é um dos principais motivos, mas não o único: os feriados de Natal caindo em dois finais de semana – o que encurta as folgas de quem continua a trabalhar – e a crise econômica do país ajudam a explicar o fenômeno.

O reforço na demanda pelas viagens por terra fica patente nos sites de vendas de passagens. Até novembro, o RodoviariaOnline registrou aumento nas vendas de 19,5% em relação ao mesmo período de 2015. No último trimestre, que já inclui as vendas para as festas de fim de ano, a alta foi de 18%.

Segundo o diretor comercial da empresa, Nilton Sklaski, os números superaram as estimativas. “A gente não esperava esse volume por causa do momento que o Brasil vive”, diz. O RodoviariaOnline calcula que fará 400.000 vendas até o final do ano.

O Clickbus, outro site do ramo, espera um aumento de 300% nas vendas de passagens para o período entre 23 de dezembro e 2 de janeiro – os números incluem o aumento de demanda, mas também o resultado de sua fusão com outra empresa de passagens, a J3, ocorrida em setembro.

Para Fernando Prado, cofundador e um dos presidentes da empresa, a alta na procura indica clientes em busca de economia – o que fica evidente na antecipação da compra em relação às datas das viagens. Explica-se: no ano passado, os clientes compraram passagens oito dias antes do embarque, em média; neste ano, a média subiu para catorze dias.

“Muitas das nossas vendas da Black Friday foram para o fim de ano”, diz Prado. O site estima fechar o ano com 2 milhões de bilhetes vendidos.

Uma passagem de ônibus entre São Paulo e o Rio de Janeiro, destino mais procurado para quem sai da capital paulista, saía por cerca de 180 reais (entre os dias 23 e 25, em ônibus convencional) se fosse comprada na última segunda-feira. Nessa mesma data, os bilhetes aéreos para o mesmo trecho saíam por pelo menos 300 reais.

A demanda por voos domésticos caiu 6,3% em outubro no acumulado do ano, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) divulgados em 1º de dezembro. A demanda menor não tem impedido as habituais altas de preços de fim de ano. Na segunda prévia de dezembro do Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), indicador de inflação medido pela Fundação Getulio Vargas, as passagens aéreas foram o item com a maior alta: o avanço dos preços foi de 27,05%.

Viagem curta

O Decolar.com vende passagens aéreas e, há cerca de um ano, de ônibus também. A empresa não divulga números, mas estima que o crescimento nesse segmento é na casa de dois dígitos. O gerente para o Brasil, André Alves, atribui o bom resultado na reta final do ano à característica dos feriados. “Neste ano, não tem aquele período de emenda”, diz.

Os executivos dos sites relatam que o fato de as festas de dezembro estarem divididas em dois finais de semana – tanto o Natal quanto o Ano Novo cairão em domingos – faz muitos clientes optarem por fazer duas viagens curtas para visitar familiares, em vez de uma mais longa, que inclua as duas datas. O percurso médio para este ano está em cerca de 400 quilômetros.

O aumento da procura por passagens de ônibus não significa que o número de pessoas viajando de avião esteja em queda na mesma proporção. “A procura por passagem aérea no fim do ano é tradicionalmente forte”, diz Luiz Eduardo Falco, presidente da CVC, a maior agência de viagens do país.

O que tem mudado neste ano, segundo ele, é o destino dos passageiros: com o dólar a 3,40 reais, mais gente tem procurado voos para o exterior em relação a 2015. Na CVC, as vendas de bilhetes aéreos para voos nacionais correspondem a 68% do total neste fim de 2016; as de internacionais, a 32%. No ano passado, com o dólar em torno de 4 reais, a proporção era de 80% e 20%, respectivamente.

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