Páginas

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Juro do cheque especial atinge recorde de 308% em abril, diz BC

Nos últimos 12 meses até abril, juro do cheque especial teve alta de 82,8 pontos percentuais.

Os juros médios cobrados nas operações com cheque especial atingiram em abril 308,7% ao ano, o maior patamar desde o início da série histórica, em julho de 1994, segundo dados divulgados no dia 25 de maio, pelo Banco Central (BC). Em relação a março, os juros cobrados do cheque especial tiveram aumento de 7,9 pontos percentuais. Nos últimos 12 meses até abril, a alta foi de 82,8 pontos percentuais - estavam em 225,9% ao ano em abril de 2015.

Já o juro do rotativo atingiu a marca de 448,6% ao ano em abril ante 449,4% de março, uma ligeira redução de 0,8 pontos porcentuais na margem. Esta modalidade é a taxa mais elevada desse segmento e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC, batendo até mesmo a do cheque especial. Especialistas alertam que estes empréstimos só devem ser utilizados em momentos de emergência e por um prazo curto.

Na nota de crédito, o BC ainda informou que a inadimplência no Brasil seguiu trajetória de alta e alcançou 5,7% em abril, contra 5,6% em março, novo patamar mais alto da série histórica, iniciada em março de 2011. O resultado ocorre meio à profunda retração da economia, que tem afetado a renda e emprego. O dado refere-se ao segmento de recursos livres, em que as taxas de juros são livremente definidas pelas instituições financeiras.

Enquanto isso, o spread bancário -- diferença entre o custo de captação e a taxa cobrada pelos bancos ao consumidor final -- alcançou 38,8 pontos percentuais em abril, ante 37,4 pontos. A Selic, taxa básica de juros do país, está em 14,25% ao ano desde julho passado.

Estoque - Com bancos mais cautelosos para conceder empréstimos e consumidores mais apertados para tomá-los, o estoque total de crédito no país recuou 0,6% em abril sobre o mês anterior, a 3,14 trilhões de reais, passando a responder por 52,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Nos quatro primeiros meses do ano, o estoque total de crédito brasileiro sofreu declínio de 2,4%, acumulando em 12 meses expansão de 2,7%. O BC projeta crescimento de 5% para o estoque de crédito em 2016 que, se confirmada, será a pior para série histórica iniciada em março de 2007.

Nenhum comentário:

Postar um comentário