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sábado, 7 de maio de 2016

Cargill prevê investir R$ 600 milhões no Brasil este ano

O grupo, que movimentou 28 milhões de toneladas em grãos no ano passado, deve desembolsar 160 milhões de reais no Terminal de Exportação de Santos.

Em meio a um cenário de desaceleração da economia, que caminha para o segundo ano consecutivo de retração, a americana Cargill, uma das maiores empresas de capital fechado do mundo, planeja forte expansão no Brasil. Impulsionada pelo complexo soja (grão, óleo e farelo), que deve movimentar cerca de 174 bilhões de reais este ano, a trading prevê investimentos de, no mínimo, 600 milhões de reais neste ano, sobretudo em infraestrutura portuária.

O apetite do grupo, que saltou da sexta maior exportadora do país em 2014 para a quarta posição no ano passado, encostando na sua principal concorrente, a Bunge, terceira no ranking, tem o respaldo da matriz americana - o Brasil é o maior exportador global de grãos e é considerado estratégico para a Cargill.

"O grupo está no Brasil há 51 anos e todo investimento aqui é de longo prazo. O país é prioridade", diz Luiz Pretti, presidente da companhia no Brasil, que faturou 32,1 bilhões de reais no ano passado.

Um dos poucos setores imunes à crise, o agronegócio brasileiro da "porteira para dentro" é referência mundial em custos e eficiência, mas os desafios logísticos para escoar a produção a partir da região Centro-Oeste para o Norte ou para o Sul e Sudeste do país são grandes.

O grupo, que movimentou 28 milhões de toneladas em grãos no ano passado, deve desembolsar 160 milhões de reais no Terminal de Exportação de Santos (TES) - consórcio vencedor do leilão realizado no ano passado no maior complexo portuário da América Latina. A Cargill tem 40% da empresa, e sua parceira, a Louis Dreyfus Commodities (LDC), 60%.

Desafio - A companhia deverá concluir ainda nos próximos meses a ampliação do seu terminal em Santarém, no Pará. No mesmo Estado, está em construção a Estação de Transbordo de Cargas (ETC), que terá capacidade de transporte para até 3,5 milhões de toneladas de cargas por ano em transbordo de caminhões para barcaças.

É no Norte do país onde se concentra o maior desafio logístico. Para o Sul e Sudeste, o transporte de grãos é feito pela malha da Rumo ALL. "A grande dificuldade é escoar a produção de grãos lá de cima", afirma o economista José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, um dos maiores especialistas em agronegócio do país. "A saída seria a Ferrogrão."

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