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sábado, 12 de março de 2016

Brasil vende US$ 1,5 bi em bônus na primeira emissão após perder grau de investimento

Última emissão brasileira havia ocorrido em 2014.

O governo brasileiro emitiu no dia 10 de março 1,5 bilhão de dólares em bônus de dez anos, na primeira emissão soberana após o país deixar a lista das economias mais seguras para os investidores (grau de investimento, ou investment grade) na escala das três maiores agências de classificação de risco. A emissão externa ocorreu de surpresa, em meio à forte crise política e econômica enfrentada pelo país.

Agentes do mercado financeiro disseram que o país provavelmente está agindo para criar uma nova referência que possa ajudar empresas brasileiras a voltar a emitir no mercado de dívida internacional. Os papéis têm rendimento de 6,125% ao ano.

"O mercado está praticamente fechado para empresas neste momento, então o governo quer garantir que haja uma referência", disse o gestor sênior de portfólios em mercados emergentes do Invesco, Sean Newman. Segundo uma fonte da equipe econômica, que falou sob condição de anonimato, a demanda pelo papel emitido nesta quinta, o Global 2026, chegou perto de 6 bilhões de dólares.

O aumento da percepção de risco devido à perda do grau de investimento se traduziu na elevação do custo para o Brasil na emissão desta quinta-feira. A diferença (spread) de rendimento em relação aos títulos de referência dos Estados Unidos foi de 419,60 pontos básicos, quase três vezes acima dos 147 pontos básicos da última captação externa do governo federal, do bônus Global 2025, realizada em setembro de 2014.

A deterioração das métricas de dívida do Brasil, em meio ao fraco desempenho fiscal em um ambiente de recessão e crise política, fez as três principais agências de classificação de crédito - Standard & Poor´s, Fitch e Moody's - tirarem do país o selo de bom pagador entre setembro passado e fevereiro deste ano.

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