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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Argentina negocia débitos, e quatro de seis fundos credores rejeitam proposta

O presidente argentino Mauricio Macri.

A proposta apresentada em Nova York no dia 05 de fevereiro pela Argentina para quitar a dívida que o país tem com os fundos credores foi aceita por duas das seis principais gestoras do litígio judicial. As outras quatro recusaram a oferta e ainda não fecharam acordo, entre elas a Elliot Management, do bilionário de Wall Street Paul Singer, e a Aurelius Capital. As negociações devem prosseguir nos próximos dias.

"Dois dos seis principais fundos tiveram sucesso em aceitar a proposta e assinaram um acordo com a Argentina. Com quatro fundos, o país ainda precisa de um acordo", afirmou em um comunicado o advogado Daniel Pollack, que é o mediador das negociações entre a Casa Rosada e os fundos em Nova York. "Tenho forte esperança de que, com negociações contínuas, esses gestores também serão capazes de resolver as diferenças e alcançar um acordo com a Argentina." Os dois fundos que aceitaram a proposta foram o Montreux Partners e a Dart Management.

A proposta apresentada nesta sexta pelo secretário de Finanças da Argentina, Luis Caputo, prevê um desconto de 25% no valor dos bônus do país detidos pelos fundos, que somam 9 bilhões de dólares. Esses fundos não aderiram às duas reestruturações da dívida da Argentina depois do calote de 2001 e brigam na Justiça dos Estados Unidos pelo direito de receber os recursos. O governo de Cristina Kirchner se recusou a negociar com os fundos, chamados de "abutres" pela presidente.

Se a proposta for aceita por todos os fundos, a Argentina terá de desembolsar cerca de 6,5 bilhões de dólares, de acordo com Pollack. A proposta tem ainda duas condições para ser efetivada. O documento precisa ser aprovado pelo Congresso da Argentina e o juiz de Nova York, Thomas Griesa, tem de retirar liminares contra o país.

"As negociações foram intensas, mas civilizadas, e tenho o prazer de informar que um enorme progresso tem sido feito", disse Pollack. "Esse litígio já dura quase quinze anos e a proposta da Argentina é um avanço histórico", afirmou o advogado, destacando que, se o acordo for fechado como previsto, a Argentina consegue voltar ao mercado de capitais internacional para captar recursos.

Desde o dia 1º de fevereiro, Caputo e seus assessores têm se reunido com Pollack e os fundos credores de Nova York. As reuniões têm durado quase o dia todo e são realizadas a portas fechadas no escritório de Pollack.

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