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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Argentina anuncia redução de imposto para a classe média

O presidente argentino Mauricio Macri.

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, anunciou no dia 18 de fevereiro a redução de um imposto sobre os salários, uma medida reivindicada pelos sindicatos que beneficia especialmente a classe média. O anúncio é feito em meio à pressão sindical por aumentos salariais diante de uma inflação que chegou em 2015 a 30% e foi de 3,6% em janeiro, segundo medições privadas.

A medida anunciada por Macri é retroativa a janeiro e eleva de 20.000 a 30.000 pesos (2.000 dólares) o piso a partir do qual se cobra o tributo pago por 1,1 milhões de assalariados. "Agradeço-lhes pela flexibilidade. Muitos achavam que tinham que dar mais, mas são etapas", disse Macri diante de ministros, governadores e sindicalistas na Casa de Governo.

Na semana retrasada, o tema tinha sido abordado na primeira reunião que manteve Macri com representantes sindicais desde que assumiu em 10 de dezembro. "É um avanço, mas faltam muitos temas", destacou, após o ato, Hugo Moyano, titular de uma das cinco centrais operárias que faziam várias greves nos últimos anos para pedir a eliminação do imposto.

Os sindicatos pedem que sejam revistas as escalas para a aplicação do imposto, que tem um cálculo escalonado com uma alíquota máxima de 35%. Estima-se que essas mudanças tenham feito parte de um projeto de lei que será enviado ao Congresso a partir de 1º de março, quando começarem as sessões ordinárias.

Moyano indicou que, apesar do anúncio, os sindicatos manterão sua reivindicação de conseguir aumentos salariais em torno de 32% e considerou "desatualizado" o piso a partir do qual será pago o imposto.

"O clima das piratarias (negociações salariais entre sindicatos e empresas) é o mesmo, o piso é 32% de aumento", disse Moyano sobre o peso do anúncio ao lembrar que aqueles trabalhadores que não são beneficiados pelas mudanças "tiveram um efeito muito duro da inflação" sobre seus salários.

O governo estabelece uma meta inflacionária de 20% a 25% para este ano e pretende que as discussões salariais se enquadrem nessa faixa. Macri anunciou, ainda, uma ampliação da ajuda do Estado para os salários mais baixos.

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