Páginas

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Para pressionar esquerda, premiê espanhol votará acordo ao resgate grego

Chefe do governo Espanhol, Mariano Rajoy.

O presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, anunciou no dia 15 de julho que vai submeter à votação no Parlamento espanhol, ainda que a lei não o obrigue, o acordo para o novo resgate financeiro pedido pela Grécia aos parceiros europeus.

O anúncio de Rajoy foi feito no plenário do Congresso dos Deputados – agendado para discutir as conclusões do último Conselho Europeu. O chefe do governo espanhol justificou a sua decisão com o elevado volume de recursos financeiros que implica um terceiro resgate grego, incluindo para Espanha.



Na prática, porém, a votação sobre o terceiro resgate financeiro à Grécia poderá forçar partidos, Socialista Operário Espanhol (PSOE) e o Podemos – partido político espanhol de extrema esquerda –, a decidirem, em pleno Congresso, as suas posições quanto ao terceiro resgate grego. O Partido Popular (PP), de Rajoy, enalteceu o acordo alcançado, enquanto os partidos da esquerda condenaram (Izquierda Unida) e reagiram com aplausos ao acordo, com críticas ao governo pela sua posição.

O partido Podemos, que desde a sua formação defende uma reestruturação da dívida pública espanhola – como o Syriza para a Grécia – deixou cair essa ideia no dia 14 de julho, afirmando que já não vê esta necessidade para Espanha. 

No plenário, Rajoy reiterou que a Espanha dará todo o apoio à Grécia no terceiro resgate, desde que o Governo de Alexis Tsipras cumpra com os seus compromissos.

Apenas seis países da União Europeia (UE) têm leis que os obrigam a votar, nos respectivos parlamentos, o novo acordo com a Grécia. Entre eles está a Alemanha.

Rajoy disse que o assunto tem de ser debatido e votado no Parlamento espanhol porque implica "muitos recursos garantidos pelos contribuintes". Segundo os últimos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI), as necessidades de financiamento da Grécia "aumentaram de forma notável", desde o referendo e fechamento dos bancos gregos, elevando-se a valores entre os € 82 bilhões a € 86 bilhões de euros.

Na resposta, o líder socialista, Pedro Sánchez, lembrou ao presidente do governo espanhol que o Parlamento alemão votou o resgate dos bancos espanhóis em 2011, mas que esse debate não foi feito no Parlamento espanhol. Sánchez reafirmou que Alexis Tsipras se enganou nas políticas propostas, por exemplo, ao fazer uma anistia fiscal, mas avaliou que Rajoy também aprovou uma proposta. "Os extremos também se tocam,” disse o líder socialista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário