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terça-feira, 28 de julho de 2015

Europa e Grécia chegam a acordo e evitam saída do euro

Europa e Grécia chegam a acordo e evitam saída do euro, na foto, o premiê grego, Alexis Tsipras.

Líderes políticos dos 19 países da zona do euro chegaram a um acordo no dia 20 de julho para manter a Grécia na área da moeda comum e colocar um fim ao impasse financeiro que já dura seis meses. 

Atenas receberá um terceiro pacote de resgate, no valor de € 86 bilhões, além de um reescalonamento de sua dívida externa, em troca da implementação de uma série de reformas de austeridade.



O governo grego também receberá liquidez imediata, a qual será desbloqueada pela Comissão Europeia, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Central Europeu (BCE), o que fará o país sair da situação de default.

O acordo foi anunciado pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, após 17 horas de negociações. "Tudo pronto para um programa do Mecanismo de Estabilidade Financeira (ESM) para a Grécia com sérias reformas e suporte financeiro", escreveu no Twitter.

Os mercados europeus reagiram à notícia com otimismo e operaram em alta no dia 20 de julho. A imprensa também destacou o acordo, principalmente a francesa, que pontuou as divergências entre a França e a Alemanha nas negociações.

De um lado, Paris defendia a permanência da Grécia na zona do euro. Do outro, Berlim mantinha um discurso de fiscalização e intransigência. "O acordo alcançado com a Grécia tem mais vantagens que desvantagens", comentou a chanceler alemã, Angela Merkel.

O primeiro-ministro esquerdista Alexis Tsipras, que foi eleito na Grécia em janeiro com um discurso contrário à austeridade, disse que a delegação de Atenas "lutou duro" nas negociações em Bruxelas. As negociações para um novo pacote de resgate à Grécia vinham ocorrendo há meses e foram intensificadas nas últimas semanas, quando venciam alguns pagamentos, como uma parcela de 1,6 bilhão de euros ao FMI. Sem verba, Atenas se tornou o primeiro país desenvolvido a dar um calote na instituição.

Os líderes europeus temiam que, sem um acordo, Atenas pudesse deixar a zona do euro e afetar o sistema financeiro de toda a região. Este será o terceiro resgate que o país recebe nos últimos cinco anos. Os outros dois pacotes financeiros também foram concedidos sob promessa de políticas de austeridade e cortes de gastos público, o que desagradou à população grega.

De acordo com a imprensa europeia, a Grécia deverá aumentar impostos, cortar aposentadorias e adotar medidas para garantir a independência do instituto de estatísticas grego. Também haverá um fundo de privatizações 50 bilhões de euros que passará a ser gerido pelos gregos e parte da verba será usada para iniciativas de estímulo ao crescimento.

Críticas

Poucas horas após o acordo, o ex-ministro das Finanças Yanis Varoufakis criticou Alexis Tsipras por ter aceitado as exigências de seus credores europeus para receber um novo pacote de resgate.

Em entrevista à revista britânica "New Statesman", ele contou que tinha um plano para a economia grega, mas não recebera o apoio do primeiro-ministro, que decidiu fazer "novas concessões". Varoufakis renunciou ao cargo no dia seguinte ao referendo que dera um "não" às políticas de austeridade da União Europeia.

Baseado na convicção de que Atenas não poderia ser expulsa da zona do euro, seu projeto consistia em tornar possível uma "Grexit" (junção das palavras "Grécia" e "saída" em inglês) para propiciar um acordo mais favorável à nação, e o resultado da consulta popular oferecia esse cenário.

No entanto, o plano foi rejeitado por quatro a dois em uma votação da liderança do partido de extrema-esquerda Syriza na madrugada após o referendo. Como Varoufakis também não conseguira convencer Tsipras, sua saída do Ministério das Finanças se tornou inevitável.

"Aquela noite, o governo decidiu que a vontade do povo, o retumbante 'não', não era suficiente para adotar uma abordagem mais enérgica", disse. No dia da renúncia, ele havia alegado que seu objetivo era não atrapalhar as tratativas com a Europa.

Além disso, Varoufakis também criticou duramente o Eurogrupo, a quem acusou de não ter representatividade para negociar a dívida grega. "É um órgão totalmente subjugado pela Alemanha. É uma orquestra dirigida pelo ministro [alemão Wolfgang] Schäuble. O Eurogrupo não está previsto em nenhum tratado, mas tem o grande poder de determinar a vida dos europeus, de decidir sobre questões quase de vida ou morte", atacou Varoufakis.

FMI

A Grécia não pagou outros 450 milhões de euros de uma parcela de um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) que vencia no dia 20 de julho. Com isso, o calote de Atenas à instituição já chega a pouco mais de 2 bilhões de euros.

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