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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Crise faz compartilhamento de aeronaves crescer na aviação executiva

Utilização de jatos e helicópteros privados cresce para viagens nas férias.

Em tempos de desaceleração econômica, cresce a demanda por serviços de compartilhamento e gerenciamento de aeronaves no segmento de aviação executiva. No primeiro semestre do ano, essas duas linhas de negócios se expandiram, enquanto o fretamento de aviões e helicópteros recuou. O movimento — segundo as empresas do setor — está diretamente relacionado à necessidade da clientela corporativa de enxugar custos, num cenário de contração da economia brasileira.



A paulista Avantto acaba de inaugurar um nova base operacional com 600 metros quadrados — praticamente o dobro da metragem da antiga — na qual investiu R$ 1 milhão. “Cada vez mais temos recebido aeronaves de proprietários exclusivos que desejam compartilhá-las”, conta Rogério Andrade, CEO da Avantto. O aumento do número de proprietários interessados em se desfazer de suas aeronaves para adquirir cotas em aviões e helicópteros compartilhados levou a Avantto a lançar este ano uma área exclusivamente para intermediar as transações de compra e venda.

Uma das razões principais para a mudança é econômica. “Na maioria das vezes, o jato executivo é um ativo de milhões de dólares pouco utilizado e com um custo fixo mensal alto”, argumenta opresidente da Avantto. A média mundial de utilização — diz Andrade — é de cem horas por ano para helicópteros e de 150 para aviões. Criada em 2011, a Avantto trabalha com uma frota de 60 aeronaves — 27 helicópteros e 33 aviões (entre jatos e turboélices). Embora não informe a receita da empresa, Andrade afirma que, a despeito da crise econômica, o faturamento cresceu 15% no primeiro semestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2014. Já o resultado operacional aumentou 47% na comparação anual. No caso da Avantto, 60% das receitas vêm do negócio de compartilhamento e os 40% restantes, da administração de aeronaves.

“Há uma busca por eficiência, austeridade e redução de custos entre as empresas clientes”, constata Heron Nobre, diretor de Fretamento e Gerenciamento da Líder Aviação. Há 56 anos no mercado, a companhia atua em cinco áreas de negócios, mas — em tempos de crise — o compartilhamento e o gerenciamento de aeronaves têm puxado a demanda. “O fretamento está mais retraído”, reconhece o executivo, que estima em até 15% o aumento da procura por opções de fretamento e administração no semestre.

Nos moldes do compartilhamento praticado nos Estados Unidos e no México, a Líder oferece ao cliente não só a possibilidade de comprar parte de uma aeronave mas o direito de utilização. “Não existe no Brasil uma regulamentação clara para compartilhamento de aeronaves”, explica Nobre. No modelo adotado pela empresa, cada aeronave é dividida em quatro cotas — uma da Líder e outras três para clientes, que têm direito a 150 horas por ano, durante um período de cinco anos. Ao fim de cinco anos, os cotistas recebem um valor menor do que investiram, incluída aí a depreciação do aparelho.

No gerenciamento, o proprietário da aeronave fecha contrato com a empresa, que passa a ser responsável pela operação. A aeronave continua a ser do proprietário mas pode ser usada para fretamento a terceiros. Nesse caso, o proprietário recebe remuneração. A Líder trabalha atualmente com uma frota de aproximadamente 40 aparelhos, entre aeronaves próprias, gerenciadas e compartilhadas. “No Brasil, há 200 cidades servidas pela aviação comercial no país. Ainda há muito espaço para a aviação executiva”, diz o diretor de Fretamento e Gerenciamento da Líder Aviação.

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